09/05/2018

Coisas que eu descobri no México | Diego Fabris

Destemperados

Foto: Diego Fabris / Instagram / Reprodução

Foram apenas três dias de passagem pela Cidade do México, mas foram suficientes para uma série de novas descobertas gastronômicas e culturais. Cheguei nessa gigantesca cidade sem expectativa alguma. Nada me atraia muito por lá. Mas na primeira noite, já fui muito bem recebido em uma mesa animada com locais bebendo tequila e mezcal como se aquela terça- feira fosse um sábado. Foi minha segunda vez em território mexicano.

Na primeira, descobri em Monterrey os chilaquiles, um prato com tortillas, salsa verde, feijão e queijo que é comido no café da manhã. Eu sei que os ingredientes parecem não combinar, mas acredite, é um prato e tanto. Por causa dele, arrisco dizer que os mexicanos têm o café da manhã mais interessante do mundo.

Dessa vez, a capital do país me apresentou meu novo prato queridinho de frutos do mar: o aguachile. Muito similar ao ceviche, porém com um tempero ainda mais interessante. Coentro, chili, cebola e pepino são alguns dos ingredientes encontrados no prato. Experimentei no primeiro restaurante e fiz questão de provar em vários lugares. O do restaurante La Docena foi o mais espetacular de todos.

Outro aprendizado que o México me trouxe foi: respeite as pimentas! Sim, o gosto pela picância é notório e pode derrubar qualquer um metido a machão. Antes de passar a faca em qualquer potinho ou molho, sempre pergunte da pimenta que ali está. Em um momento de descuido, tasquei um nacho em um molho apimentado que me fez chorar, literalmente.

As bebidas mexicanas também merecem muita atenção. Os mezcais de Oaxaca me pareceram bem mais interessantes que as famosas tequilas. Não fui muito com a cara do pulque e achei boa a michelada. Mas foi o clamato que me ganhou. Em mais uma combinação esquisita, eles misturam suco de tomate, caldo de carne, molho de ostras e até cerveja. Tem tudo para dar errado né? Mas dá certo!

Os sabores do México foram encantadores. No entanto, meu maior aprendizado com a viagem foi sobre o preconceito idiota que a gente cria sobre a cultura de alguns países. Foram curtas passagens mas vi um México vibrante e interessante, distante dos estereótipos rasos que chegam até aqui. Vi uma gastronomia que nada se parece com a tex mex que se espalhou pelo mundo, especialmente por causa dos Estados Unidos. E entendi que cada lugar pode surpreender a gente quando a cabeça está aberta.