“As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo com curiosidade” Concordo! Mas fazendo minha adaptação à frase brilhante de Epicuro, hehe. Isso porque já fui, inúmeras vezes em lugares que me fizeram feliz, e grata por esses momentos, desejando voltar sempre. E quando um deles passa por grande reforma, aí mesmo que minha curiosidade e desejo se potencializam. Já havia feito um post aqui, sugerindo um lugar aprazível, para se estar no Rio, à beira de uma piscina, no período de férias de verão. Seguindo a filosofia do nosso amigo ali em cima, como também aquela musiquinha; “eu só quero é ser feliz”, claro que tinha que voltar, e dessa vez ao outro restaurante do hotel, que está com novo cardápio - o Cipriani

Opa! Mais do que justificável e necessário marcar presença, até porque já estamos no outono. Esse é o restaurante mais requintado do Copacabana Palace, e fica no prédio chamado de Anexo, também em frente à mítica piscina, o que lhe confere uma vista bem agradável.

Fui ser feliz lá, quero dizer: jantar no aniversário do filho mais velho, e foi maravilhoso, mas as fotos ficaram péssimas, por ser à noite, e eu ser uma ferrenha opositora ao uso de flash. Resultado: tive que voltar! E para o almoço, porque aí a luminosidade ajudaria (um pretexto perfeito).

Ao entrar, já se encanta com o ambiente, tradicionalmente sóbrio e bem bonito. A decoração do arquiteto francês Michel Jouannet, do grupo Orient Express, remete a uma atmosfera italiana e à Veneza, onde existe o hotel Cipriani, do mesmo grupo, e por essa razão se percebe a presença de muitos quadros com paisagens dessa cidade.

Assim como a reprodução autorizada, de uma das pinturas urbanas de Canaletto, famosas por retratarem Veneza.

E ainda elementos decorativos como as lindas jarras de Murano, com belos arranjos florais. E um detalhe que impressiona: esse pórtico de madeira, que liga a cozinha ao salão, conferindo um aspecto no mínimo interessante, com os garçons passando por essa elegante cortina de veludo...

A maioria dos lustres de cristal foi substituída por outros de Murano, feitos a mão, em contraste com lustres de inspiração árabe. E para adornar os janelões, assim como a entrada, foram colocadas cortinas brancas do tipo venezianas, tal qual nos restaurantes da Praça de São Marco. Lindo!

Mas agora peço um minuto de sua atenção, para essas luminárias Fortuny, lindíssimas, de inspiração chinesa, veneziana, e turca, que evoca os mistérios do Oriente, com uso de design original de tapeçarias otomanas e tecidos venezianos do século XVI. Acabamento feito em seda, pintada a mão,  e vidro de Murano. Esse modelo chama-se Scheherazade. Bonito demais!

Senti-me uma princesa, e até pedi um Bellini (coquetel de pêssego com espumante) para começar, cujo tom combinava com as flores da mesa...

E aí veio o couvert, com uma farta cesta de pães quentinhos e grissinis, acompanhados de azeite extra virgem, manteiga e um queijinho coalho num ponto cremoso, temperado com páprica. Simples e na medida certa de aguçar o paladar.

Em seguida veio um “amuse bouche” (não sei a tradução para o italiano) delicioso: creme de cenouras ao curry, com amêndoas torradas.

Abro um parêntese, para falar que o Chef é Nicola Finamore, italiano com passagens pelo Harry’s Cipriani de Nova York, Harry’s Bar de Veneza, La Pernice e La Gallina, detentor de estrela no Guia Michelin, e que veio ao Brasil trazido especialmente por seu conterrâneo, o prestigiado Francesco Carli, chef Executivo do hotel, para reformular integralmente os cardápios de almoço e jantar. Finamore trabalhou um cardápio com características italianíssimas, sob a supervisão de Carli. Estamos bem! E pra provar isso, de entrada peço uma maravilha: queijo Tallegio em crosta de gergelim perfumado de trufa negra. Parla!

Close do queijo, per favore, amore!

Mas eu me chamo Ligia e tenho o sangue italiano correndo nas veias, e Ghizi no sobrenome, então, pra espanto do garçon, peço uma segunda entrada, agora grafada no idioma de Dante: polenta di grano bianco mantecato com gamberi profumati ao limone siciliano e coriandolo (coentro). Tanto quanto o tamanho imenso do nome da iguaria é o tamanho do prazer que ela proporciona!

E já mais calminha vou ao prato principal, que me chamou quase pelo nome, quando abri o cardápio. Tive a impressão de que até piscou pra mim. Sim, um javali! Ou Il Cinghiale “Porchettato”, que é o bichinho assado durante horas, com a pele crocante, servido sobre espinafre e cogumelos, batatas fritas e um coulis de framboesas. Ma che! Isso é gastronomia, isso é Itália. Por Epicuro, isso é felicidade!

Queria honrar o prato com um vinho italiano, mas visto estar sozinha, tive que pedir em taça, e fui de tinto Año Cero Malbec Altocedro 2010. Não entendo nada de vinhos, mas posso garantir que ficou delicioso! E bem bonito, o conjunto da obra.

Desculpem-me, mas preciso mostrar esse javalizinho desfiando.

Eu seguia, entorpecida e encantada por tudo servido até ali, até a hora que me apresentaram o cardápio para as escolhas da sobremesa. Vou repetir: so-bre-me-sas! E italianas! Aí, Dio mio, eu fui à loucura, com o carro chefe do chef: tiramisù veneziano! Quase chorei, quando chegou à minha frente. Vejam por que!

Quando eu pensava que já tinha chegado ao paraíso, me trouxeram um vero espresso com petit fours!

Fui embora, e ao passar em frente a esse espelho veneziano lindo, mudei a pergunta; espelho, espelho meu, há alguém mais feliz e satisfeita do que eu? 

Acho difícil, ainda mais que tive o privilégio e a alegria de assistir logo ao lado, no salão do bar, uma sessão de fotos do novo cardápio assinado por Finamore, que ia aprontando os pratos, e finalizando-os à frente do fotógrafo, como nesse detalhe, colocando o molho sobre a massa. Uma experiência completa!

Bem, mas e a conta? Perguntarão vocês. Aí eu explico o seguinte, embora esse blog tenha um perfil bem jovem, descontraído, e com proposta de compartilhar boas food experiences, valendo todo tipo de estabelecimento e preços, eu reconheço que esse meu programa ficou um tanto além de um custo médio padrão. Mas ainda assim, acho que vale a pena. A média é de 200 reais por pessoa, sem bebidas, mas pode ser bem menos, se você não enlouquecer como eu. Be happy!

Cipriani
Hotel Copacabana Palace
Av. Atlântica, 1702 - Copacabana
Rio de Janeiro/RJ
Fone: (21) 2548-7070
www.copacabanapalace.com.br
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