18/01/2018

Eu e o abacaxi | Diego Fabris

Diego Fabris

Eu não gostava de abacaxi. A acidez e a consistência da fruta me incomodavam. Mas eu sempre achei lindo as pessoas comendo abacaxi e lambendo os dedos. Via ele saindo no espeto e achava o aroma fantástico.

Certo dia, fui ao tradicional restaurante Cervantes, no Rio de Janeiro, e provei o clássico sanduíche de pernil de porco com abacaxi e queijo. Mudou meu mundo. Como assim que algo com abacaxi pode ser tão bom? Comecei a deixar meu preconceito de lado e a ter a cabeça mais aberta.

No final do ano passado fui a um grande evento de churrasco e meu amigo Pepo tirou um abacaxi assado da grelha que me deu vontade. Comi um pedaço, comi dois, comi oito. Combinei com porco, combinei com queijo e ficou ainda melhor. Devo ter comido mais abacaxi que carne naquele dia. E olha que foi um dos melhores assados que já presenciei. Naquele momento, passei a encher o peito e dizer “eu gosto de abacaxi”.

Eis que domingo, fui ao supermercado e comprei um abacaxi pela primeira vez na minha vida. Cheguei em casa, fiz o fogo e botei ele para assar. Comi uns pedaços in natura enquanto o restante assava. Quase errei o ponto da carne de tanta atenção que dei para a fruta. Coloquei canela em algumas partes e comi feliz da vida.

Desde domingo, tenho comido abacaxi todos os dias. Estou até com medo de enjoar rápido. Mas o fato é que estou apaixonado. E como é bom quando você (re)descobre um alimento e acrescenta ao seu repertório gastronômico. Fiquei até com aquele sentimento de tempo perdido de “por que eu não fiz isso antes”.

Decidi que vou fazer isso com mais alimentos que torço o nariz. Ano passado tive algo parecido com a banana e deu certo. Me lembrei de como foi quando comecei a comer sushi também. Comecei pelos hots empanados, migrei para o cream cheese e hoje como sashimi como um doido. Dar uma mascarada com outras coisas boas como queijo, fritura e doce sempre ajuda né.

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