07/10/2016

Do boteco à champanharia: a receita de sucesso de Eduardo Natalicio

Anahís Vargas

Foto: Félix Zucco

Inspirado no avô e na paixão pelos botequins nordestinos, o recifense Eduardo Natalicio trouxe para Porto Alegre, em 2006, quando se mudou para a cidade, o conceito de um lugar para reunir os amigos e a família, com muita bebida e comida. Assim nasceu o Boteco Natalicio, que hoje é sucesso entre os gaúchos e marca a trajetória de Eduardo no meio gastronômico da Capital. 

– O Natalicio chegou para levar os jovens de volta ao boteco e à boemia. Um bar que frequentam porque conhecem os garçons, o pessoal da cozinha e encontram os amigos por acaso. Me inspirei nos lugares que gostava de frequentar em Pernambuco e não encontrava por aqui. O termo boteco era visto como algo ruim, e tentamos modificar isso – explica.

Nesses 10 anos, o negócio se expandiu. Depois de controlar também empreendimentos como Dona Neusa e Dona Zefinha, Eduardo hoje comanda de fato apenas o Boteco Natalicio localizado no Centro Histórico – o primeiro de todos –, mas mantém sociedade com outras unidades do bar – nos bairros Moinhos de Vento e Jardim Botânico, no Paseo Zona Sul e em Canoas. Além disso, ele leva sua marca e curadoria para o Gaúcha Sports Bar, no Viva Open Mall, e para as Champanharias Natalicio, nos shoppings Paseo Zona Sul e Iguatemi, em Porto Alegre. O último projeto lançado por ele foi o Escondidinhos Natalicio, na praça de alimentação na expansão do Shopping Iguatemi, uma loja que conta com mais de 20 sabores do prato que é o carro-chefe da marca. Mesmo sem divulgação, cerca de 80% da meta estabelecida foi vendida somente na primeira semana de funcionamento.

Hoje com 10 negócios em funcionamento, Eduardo planeja abrir mais quatro estabelecimentos até o início do ano que vem.

DO INÍCIO EM PERNAMBUCO AO ÊXITO EM PORTO ALEGRE

O amor pela gastronomia surgiu quando Eduardo, aos 10 anos, divertia-se auxiliando o pai no preparo das receitas das festas em família. Aos 19 anos, em 2000, decidiu economizar dinheiro para abrir seu primeiro negócio: um carrinho de espetinhos na beira da praia de Porto de Galinhas. Em uma semana, comercializou o que tinha calculado para um mês – cerca de 40 mil churrasquinhos.

– Nessa época, cheguei a ter seis carrinhos com uns 20 funcionários. Em apenas um dia cortava mais de uma tonelada de carne – conta o chef.

O sucesso dos churrasquinhos na areia continuou, até que ele conheceu uma gaúcha – e foi amor à primeira vista. Eduardo vendeu tudo o que tinha em Recife e se mudou para Porto Alegre em 2006, com o objetivo de levar seu negócio adiante na Capital.

– A ideia inicial era trazer os churrasquinhos para cá e colocar dentro dos supermercados, para que o público comprasse e saísse comendo. Mas comecei a ver outras possibilidades. Percebi, por exemplo, que Porto Alegre não tinha um boteco – lembra.

Para se especializar e estudar, Eduardo buscou o curso de gastronomia do Senac-RS. O que ele não esperava é que em sua rotina diária, de idas e vindas às aulas, ele se interessaria por uma casa antiga e fechada por 10 anos, localizada no limite entre os bairros Centro Histórico e Cidade Baixa. Esse lugar abrigaria, em seguida, o primeiro Boteco Natalicio.

Depois, foi um passo para estabelecer sociedades e parcerias, a ponto de espalhar sua marca em diferentes pontos de Porto Alegre e cidades próximas, como Canoas, com propostas variadas, mas sucesso garantido.

A trajetória, entretanto, sofreu um baque no fim de janeiro, depois do temporal que assustou Porto Alegre. As chuvas atingiram a casa onde fica o boteco da Rua Coronel Genuíno, quando o teto despencou e quase todos os móveis e equipamentos de cozinha foram perdidos. Para Eduardo, esse foi o momento mais difícil de sua história.

– Foram sete meses muito tristes. Mas pelo valor sentimental ser tão forte, decidimos reformar – conta.

Desde o final do mês de agosto a casa está aberta ao público, reformada, com espaço para música ao vivo e novidades no cardápio em homenagem aos 10 anos do bar.

A RECEITA DO SUCESSO

Eduardo abriu o bar quando não identificou propostas semelhantes à sua ideia na cidade, assim, o negócio seria novidade. Para ele, esse é um fator fundamental no empreendedorismo, uma vez que não existem parâmetros e comparações que façam os clientes julgarem precipitadamente o lugar. Ele atribui à paixão pelo trabalho e pela gastronomia a razão do sucesso do boteco, além do intenso treinamento dos funcionários e da aproximação com os clientes.

– Trouxe tudo o que tinha de melhor na minha terra, coloquei toda minha emoção aqui dentro, minha vida é mostrar para as pessoas a alegria de um boteco. Não quero ninguém trabalhando, quero todo mundo se divertindo, para no final do mês eu pagar o salário. Esse é o lema do Natalicio – avisa.

A formação dos garçons e cozinheiros é feita pelo próprio chef. Para ele, é necessário que a equipe esqueça as práticas e os vícios aprendidos em outros restaurantes, como a posição clássica de garçom com as mãos para trás do corpo.

– É preciso que os garçons estejam antenados e, ao mesmo tempo, alegres. E também têm de estar por dentro de tudo, desde a cozinha até o ambiente. Muitas vezes me vejo sentado no boteco para poder servir bem o cliente – explica.

Toda a preocupação com o negócio, com a gastronomia e com o bom serviço, garantiram a Eduardo uma história de sucesso em Porto Alegre. História que será homenageada pela escola de samba União da Vila do IAPI no próximo Carnaval, com o enredo “De Porto a Porto, o sonho aconteceu. Natalício, uma receita de sucesso!”.

O empreendedor conta ainda que está prevista para o final deste ano e para o início de 2017 a abertura de quatro novos restaurantes criados por ele junto de parceiros-investidores. Os lugares têm propostas diferentes, mas com foco em oferecer experiências de qualidade.

– Abriremos o Deutch Pub, em Gramado. Também haverá duas novas unidades da Champanharia Natalicio, em Porto Alegre e em São Paulo. Isso além do Ferro e Fogo e do M.A.R, que serão abertos na Capital – conta.

Leia nossa experiência no novo Boteco Natalicio do Centro Histórico aqui.