23/11/2017

A febre dos burguers | Diego Fabris

Destemperados

Comer hambúrguer virou uma mania nacional. Toda semana surge uma nova casa na cidade focada nesse tipo de comida, fora os restaurantes que incorporam o sanduíche aos seus menus. Nos food trucks, é sempre o campeão de vendas.

O hambúrguer virou sinônimo de comida americana, apesar da sua origem europeia. Acredito que o sucesso do lanche se deve ao seu estilo acessível. Qualquer um se sente à vontade, e o fato de usar as mãos para comer deixa o ato ainda mais simples.

Mas o que fez o hambúrguer alçar outro patamar no mercado foram os tais gourmets. O que antes era qualquer tipo de carne, com um queijo e um pão tradicional, ganhou milhares de variações e status de lanche mais sofisticado. Eu detesto a palavra gourmet, ela deixa tudo mais chato. Sem falar que já virou commoditie porque tudo é gourmet hoje em dia. Porém, é inegável que o conceito de qualidade atrelado à palavra fez as pessoas se interessarem ainda mais por boa gastronomia.

Outro ponto que colabora para o crescimento do hambúrguer é a facilidade no preparo. Até eu que não sou um cozinheiro de mão cheia consigo fazer um bom tendo ingredientes legais. E ainda por cima tem a questão do bom custo-benefício. Com a crise que veio anos atrás, as famílias e casais começaram a abrir mão de programas que custavam mais de R$ 50 por pessoa e buscaram opções gostosas, divertidas e acessíveis. Por mais que hoje seja questionável um hambúrguer custar até R$ 40, ele ainda acaba mais barato na conta que um jantar com entrada, prato e sobremesa.

Os melhores amigos do hambúrguer são as batatas fritas e o milk-shake. Para mim, não basta o sanduíche ser bom se estes acompanhamentos forem meia boca. E adivinha? Eles também foram gourmetizados.

O engraçado dessa evolução dos hambúrgueres é que o excesso de criatividade de ingredientes como picles, maioneses especiais e chutney me fez querer voltar ao básico. Hoje, meu preferido é o bom e velho burguer assado na brasa simplesmente com muito queijo e um bom pão. Menos é mais.