19/11/2010

Restaurante do Bira: O Paraíso dos Paraísos!RJ

Diogo Carvalho
Durante o show da banda Troisgros live at Olympe, o que mais se falou foi num tal de Restaurante do Bira. Do Bira não, "do Birrra, na Barra de Guarrratiba", segundo o Claude. Putz, onde diabos fica isso, e que restaurante é esse que arranca elogios não somente do chef, como também de toda uma mesa que estava ao lado da nossa e ouvia o papo?
Pra explicar melhor e pra não dar margem a dúvidas, o que matou a charada mesmo foi a seguinte frase: "sabem aquele risco que divide o mar de um mangue, fino como um palito de fósforo, que avistamos do avião quase chegando ao Rio? Pois é, o Bira fica ali, fincado no morro em plena mata virgem.
Parece que a gente tá numa casa na árvore, porque é todo muito rústico e com trilha sonora comandada ao vivo por uma turma gigantesca de pássaros. Há quem diga, inclusive, que volta e meia surge por ali muito mais do que pássaros, mas pode ser história de pescador.
O interessante é que se tudo isso já é lindo mesmo com um dia nublado como este, imagina com um solaço?! Lembrei na hora do Riq Freire que diz que o bom fotógrafo traz o sol de casa. Mais uma prova de que de bom fótógrafo tenho só a câmera.
Pra quem - como nós - infelizmente não tem a sorte de morar no Rio e quer ir ao Bira pra ficar de queixo caído com o visual e com o arquipélogo residente entre o mangue e o mar, só tem um jeito: ir de carro com um carioca de gema, porque tentar ir de carro by yourself é roubada na certa, e de táxi seria mais caro do que a sua passagem aérea pra lá.
Tivemos a sorte de, depois de tanto falarmos no tal do "Birrra" com o Claude, ainda receber dele mesmo um SMS no dia seguinte pela manhã perguntando se queríamos ir até lá junto com ele e um querido amigo dele, que casualmente estavam pensando em dar um pulo naqueles lados. Alguém de vocês teria coragem de responder que não?
Aceitamos. Chegamos lá e o que encontramos foi essa infinidade de imagens que fazem a gente parar no tempo e ter vontade de nascer denovo só pra morar lá desde criança.
De entrada, a sugestão do Paul Geiser (amigo do Claude e meu novo melhor amigo de infância) foi uma porção de pastéis de siri, de camarão e de queijo. Tamanho talento para fisgar uma opção iluminadamente genial e simples tem uma explicação: o Paul teve um momento Hippie e morou ali do lado da Tia Palmira, mãe do Bira e dona de um outro restaurante ali de Guaratiba.
Estávamos com as pessoas certas então, porque depois foi a hora do polvo grelhado. Lembra quando disse esses tempos que tinha gente que, antes de ir ao Olympe, jamais havia botado um pedaço de polvo na boca? Puizé, quase que não consigo tirar essa foto em função da nova paixão deles: o polvo. Vivendo, aprendendo e descobrindo a não pré-julgar o coitado do bichinho, só porque ele é feio, torto e cheio de furinhos ;-)
Em seguida foi a vez de um borbulhante camarão com catupiry na panela de barro. Cara, esse negócio fervilhava que parecia o caldeirão da bruxa. Foi muito bem o cara, e me fez perder a implicância que tinha com a junção de duas palavras que, sozinhas são tão lindas mas quando se unem, parecem prato de feira: camarão com catupiry. Putz, acho "camarão com catupiry" tão "aniversário da manicure". Mas, implicâncias à parte, resultou divinamente bem.
O bom de ir a um lugar onde um integrante da mesa foi praticamente criado lá, e o outro é um dos maiores nomes da gastronomia mundial, é que a gente não precisa se preocupar com escolher. É tudo por conta deles, eu só queria garantir boas fotos, contar uma que outra piada clássica do meu repertório e curtir o rango. E agora era a hora do filé de linguado pescado de manhã pelas mãos do próprio Bira. Frescor, crocância e suavidade foram algumas das palavras inventadas especificamente para definir esse peixinho.
Quando digo que queria nascer novamente pra poder morar desde pequeno em Guaratiba como o Bira, é que queria mesmo nascer novamente pra poder morar desde pequeno em Guaratiba como o Bira. Simples assim. Quero ter a disposição de acordar antes do sol, pescar, cozinhar com brilho no olhar, ver meu restaurante encher, dar um alô nos amigos e correr pra siesta porque no final da tarde tem surfe. Só não teria esse cabelo comprido nem usaria calça jeans acima do umbigo, mas tá desculpado, Bira. Ainda quero ser tu.
Difícil é ir embora. E é triste dar-se conta de como aproveitamos mal nosso país. Uma imagem dessas, sem dar nome aos bois, certamente seria confundida com paisagens na Indonésia, na Tailândia, no Vietnã... e a gente acharia o máximo. Mas só porque é aqui do lado, no Rio, não damos bola. Cara, fiquei com vergonha de ver o restaurante lotado de americanos, franceses, italianos e até de argentinos, que segundo o Bira estavam ali pela terceira ou quarta vez já. E eu, pela primeira...
Ir ao Bira é uma aventura inesquecível e apaixonante. É uma experiência que nos faz repensar tudo o que já vivemos relacionado à gastronomia. Claro, tem seu preço. Mas essa conta é nossa, chef. Tu e o Paul são nossos convidados hoje, e para que saibam, gastamos 100 reais por pessoa. Pelo menos tomamos mais caipirinhas do que o motorista, que tinha a obrigação de nos devolver sãos e salvos no hotel!

Bira
 
Estrada da Vendinha, 68-A 
Barra de Guaratiba - Rio de Janeiro 
Fone: (21) 2410.8304
www.biradeguaratiba.com.br
Quinta à domingo, do meio-dia às 19hs 
Somente cartões de débito
Diogo Carvalho