06/05/2011

Inhotim: Uma experiência de VIDA!MG

Diogo Carvalho Todo mundo tá careca de saber quem é o Rafael Mantesso. Ele é um cara genial, talentosíssimo, no entanto, tem um topete que nem o do William Bonner e perde seu tempo com bobagens. Esses tempos ele me proporcionou uma das experiências mais surreais da minha vida: INHOTIM. Mas pedi pra ele relatar essa ida lá por ser habitué e por conseguir explicar bem melhor do que eu do que se trata essa parada. Pera, só um minuto. Não desce ainda a barra de rolagem, segura essa vontade de ver as fotos, respira fundo aqui comigo. Segura na minha mão e vem... Pensa numa cidade igual todas as cidades pequenas que você conhece. Brumadinho era assim, era legal porque ficava perto de Belo Horizonte, tinha um ou outro condomínio de chácaras pra passar final de semana e só. Agora esquece a imagem de cidade do interior e tenta (você não vai conseguir) imaginar um lugar f*da, diferente de tudo o que você já viu na vida. Esse lugar é o INHOTIM. Inicialmente era a fazenda de um milionário minerador e mecena, ainda bem que ele quis compartilhar seu amor pelas artes com a gente e inaugurou o lugar. Não dá pra chamar de parque, é mais que isso, não dá pra chamar de museu, é muito mais que isso, não dá pra classificar, não dá pra explicar com um adjetivo só. INHOTIM é isso... O maior centro de arte ao ar livre da América Latina. Não é um parque com galpões e quadros pendurados na parede. É um paraíso Dantesco com obras espalhadas aos quatro cantos. "Olha, aquilo é um banco? Não, é arte! Aquilo é uma obra? Não, é uma árvore". E não é brincadeira, o lugar é todo pensado pra te impressionar, é impecavelmente limpo, não existem folhas fora do lugar, grama mal cortada... o paisagismo de lá é um dos mais bonitos do mundo. Não é exagero, google it e #chora. INHOTIM fica a 60km de Belo Horizonte, 1 hora de carro mais ou menos. O estacionamento deve ter capacidade pra 1 bilhão de carros, lá tudo é grande, muito grande. Chegue cedo, calce um tênis confortável, compre o ticket de entrada e também o ticket de transporte. Leve pouca bagagem... leve a câmera, leve muito filme, muito cartão de memória, ou não leve nada, eles providenciam o resto pra você! Olha lá aquele banco, tá vendo? É um corte prime de árvore assim como todos os bancos espalhados por lá, e isso aqui embaixo, ah... um detalhe, uma piazzetta com 3 esculturas de bronze do Edgard de Souza. De-ta-lhe. O lago lindo, a grama verdinha, o paisagismo impecável e uma construção modernista. É um quadro isso... Não: é uma foto despretensiosa do lugar. INHOTIM é o paraíso para fotógrafos amadores, não precisa se preocupar com ângulos, enquadramentos. Mira a câmera, clica. A foto fica bonita. Isso aí em cima é uma das dezenas de galerias do lugar. A gente tem vontade de entrar, mas tem vontade de ficar sentado ali fora babando, sentado na grama mesmo, só olhando. Minuto de silêncio. Grato. Falta 30 segundos ainda... Vem comigo! Oi? Isso aí em cima parece uma galeria não parece? LINDA! Linda demais, mas não é galeria, é o restaurante 'popular', o restaurante Hélio Oiticica (tem esse nome porque fica do lado da intervenção gigantesca do Helio no INHOTIM). Lá o serviço é de self-service e de muito boa comida. Só que lá existem 2 restaurantes, bares, 1 café, 1 pizzaria, lanchonetes, omeleteria e cachorros-quentes. JURO! Tudo é sensacional. E como disse, tudo é pensado pra te surpreender, pra te encantar. Ali embaixo na grama não é um mímico francês, é um garçom do restaurante a quilo. Me abraça. Aí o tal restaurante 'popular'... E aqui embaixo o outro restaurante, o restaurante Tamboril. Assim, despojado, lindo, no meio de muita arte, verde e vida. Outro minuto de silêncio. Grato. O aroma estava ótimo, refletimos um pouco se iríamos no buffet ou se pediríamos a la carte. Quer saber? Já que estamos aqui e começou a chover... Bora comer até o dia terminar. Vem que tem mineiridade, arroz branco soltinho, feijão tropeiro fresquinho, feijão consistente, farinha crocante, linguicinha, ovo, banana frita e torresmo. Fome em 5, 4, 3, 2... Doce de leite, doce de banana, torta de morango, ganache de chocolate. A chuva ainda não tinha passado. Chuva passou, fecha logo a tampa que a gente não conheceu nem metade do lugar. Barriga cheia, preguiça, partiu carrinho de golfe rumo ao Som da Terra, uma nave espacial lá no alto do morro. Uma das minhas preferidas. É uma construção onde você escuta ao vivo a transmissão contínua de sons emitidos a centenas de metros no interior da Terra captados por microfones geológicos. O som é amplificado ali dentro e você fica hipnotizado. Outra lindeza é o vidro, coberto com uma película especial que fica embassado de acordo com o ângulo que você olha. Dentro da 'nave' se você ficar parado exatamente no meio, consegue ver perfeitamente os 360 graus da vista do lugar. É indescritível. E que me perdoem os mais de 200 artistas, mas esta instalação da Janet Cardiff é a minha preferida. Não me canso dela, e choro todas as vezes que entro nesta sala. O Forty Part Motet é uma instalação acústica de 40 caixas de som tocando em looping um moteto (um tipo de composição polifônica medieval) do século XVI, considerado uma das mais complexas obras polifônicas para canto coral composta nos todos os tempos. Utilizando microfones individuais, a artista gravou cada integrante do coral da Catedral de Salisbury, e na instalação, usou um alto-falante para cada voz, o que te permite ouvir as diferentes vozes e perceber as diferentes combinações e harmonias à medida que percorre o lugar. É uma experiência intensa e com o mínimo de sensibilidade, você se pega deitado no banco e não quer levantar dali nunca mais. Como se não bastasse o conteúdo e expressão artística dentro das galerias, elas próprias são obras de arte. É duro dizer isso, mas não parece Brasil, não parece nada que você tenha visto na sua vida. Se você gosta de verde, arte, gastronomia, natureza... Se você gosta do que é bonito, do que mexe com você, vá ao INHOTIM (e me convida, eu não canso de ir). Beijo, me liga. E o nosso almoço custou 49 reais por pessoa. Mas a experiência em INHOTIM não tem preço. Complicado demais tentar resumir em texto.

Instituto Cultural Inhotim
Rua B, 20
Inhotim Brumadinho/MG 
Fone: (31) 3227.0001 
www.inhotim.org.br
Diogo Carvalho