07/06/2017

Empório dos Mellos: um tesouro escondido em Campos do JordãoSP

Nathália Cunha

Depois de quase dois anos e meio morando em São Paulo, prometi, no último réveillon (sim, levo a sério essas promessas), que ia conhecer mais lugares aqui perto. Aproveitei o verão para conhecer várias praias, e agora que a temperatura começou a dar uma trégua, era hora de ver o que a Serra da Mantiqueira nos reservava.

Foi assim, em uma viagem para Gonçalves (cidadezinha maravilhosa logo depois da fronteira entre São Paulo e Minas Gerais), que resolvemos parar em Campos do Jordão para conhecer um lugar indicado pela minha amiga Dani: o Empório dos Mellos.

Literalmente só paramos em Campos do Jordão para almoçar nesse misto de restaurante e mercearia que é praticante do conceito Slow Food e só serve aos seus clientes alimentos produzidos em um raio de até 25km e cultivados por pequenos produtores. O Slow Food já é forte no mundo inteiro, mas eu não lembrava de ter ido a um lugar que levasse a sério e o melhor: sem frescuras e com muita informação aos clientes. Mas vamos falar disso mais para frente.

Ao entrar no Empório você já dá de cara com o empório (dã). Lá, eles vendem frutas e verduras orgânicas, pães de fermentação natural, geleias, cervejas, cachaças e queijos, tudo produzido ali por perto e por pessoas da vizinhança.

Olha esses pinhões que lindos.

Aí fui entrando, pedindo licença, já me sentindo em casa e falei para o garçom: oi, eu fiz uma reserva para as 12h30. Muito simpático, ele foi conversando e nos levando à nossa mesa. Ele e meus amigos continuaram e eu parei na frente dessa escrivaninha transformada em adega. Um verdadeiro tesouro.

Como eterna fã da turma da mônica, não pude deixar de notar a revistinha em um dos aparadores do restaurante. Queria ter sete anos de novo para ficar aqui lendo e relendo todas elas? Com certeza.



Não, eu ainda não cheguei na mesa. Peguei um atalho e fui direto para a horta que fica atrás do restaurante. Um pedaço de paraíso com várias hortaliças ao alcance das nossas mãos.



Cheia de detalhes fofos e aquela felicidade que a gente só sente quando sabe que dali a pouco vai ter a chance de comer comida de verdade, com sabor, com história e feita por quem sabe que alimentar o corpo é também alimentar a alma.



Eu já sabia, mas ver isso estampado na placa me deu aquela felicidadezinha.



Uma vista mais aberta para vocês entenderem como é o salão. Por ser todo de vidro, ele é superintegrado com a natureza, o que deixa o tempo que você passa por lá ainda mais especial. Essa era a minha gangue já escolhendo a mesa mais perto do jardim. Amo.



O menu é fechado e custa R$64 por pessoa. Nele, tem uma entrada, uma salada, um prato principal e uma sobremesa. Como se a vista do jardim não fosse suficiente, eles ainda oferecem outra cortesia da casa: um bowlzinho de pinhão com azeite.

As entradas são duas: os pasteizinhos de queijo da Serra da Canastra. Uma combinação que não tem erro.



E outra para lá de inusitada: Peixinho da Horta, que nada mais é do que uma plantinha de nome difícil, empanada e servida com redução de balsâmico e mel dos Mellos. Se a foto faz você jurar que é peixinho, o sabor acompanha a missão.



Eu estava dirigindo, afinal de contas, precisávamos continuar a nossa viagem até Gonçalves, mas os meninos da mesa pediram uma cerveja artesanal produzida em Santo Antônio do Pinhal. Era uma Weiss mais levinha e com o número da garrafa escrita de caneta no rótulo. Não dá para resistir, né?



Devoramos as entradas rapidinho e já veio a salada. Atenção para a descrição: salada PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais) ao vinagrete de mel dos Mellos e queijo boursin qrtesanal de Santo Antônio do Pinhal. Eu declarei falta de costume e achei as folhas bem amargas. Meu marido amou. O que eu mais lembro do prato? Esse queijo de cabra e o mel. Que combinação dos deuses. Ah, um adendo: o queijo é produzido por uma mulher que começou a criar cabras porque seu filho era intolerante à lactose. Começou a fazer o queijo para a família e amigos e percebeu que isso podia virar negócio. Lembra que cada alimento tem uma história? Pois é.



Terminamos a salada e declaramos paixão antes mesmo dos pratos principais chegarem. Mas bem, eles chegaram. O menu te dá a opção de três pratos. Spoiler: fizemos um pacto para que cada um pedisse um. Spoiler 2: tudo estava incrível.

Minha amiga Dani pediu a tradicional galinha caipira com quiabo. Segue descrição: galinha criada na comunidade marinada na cerveja artesanal, com quiabo e polenta cremosa de milho verde e farofa de banana. A combinação disso é dessas coisas que deixam até a Tatá Werneck sem saber o que dizer. Maravilhoso.



Meu marido pediu a truta defumada de Sapucaí Mirim, gratinada ao molho de queijos com arroz negro de Pindamonhangaba e purê de abóbora Cabotiá. Truta é um hit na região, encontramos de monte em outros lugares entre Campos e Gonçalves. E eu, que nunca imaginei que arroz negro combinasse com purê de abóbora, estou até agora pagando minha língua. Outro sucesso.

Por fim, eu e outro amigo pedimos a costelinha de porco, que vinha acompanhada com arroz, tutu de feijão e couve refogada. O sabor dessa costelinha era absurdo. Óbvio que perguntei como era esse molho e o garçom, muito gentil, me contou que ele é feito da própria marinada da costelinha. Percebam que eu já estou ficando sem adjetivos, então vou ter que repetir: prato maravilhoso.



- Posso trazer a sobremesa? Por favor, moço! Quero saber qual vai ser a explosão de sabores agora. E bem, foi a minha parte favorita do menu, que só oferecia uma opção de sobremesa: a tradicional rabanada do Empório com sorvete artesanal de Eisland. Essa, meus amigos, entrou para a lista de cinco melhores sobremesas da vida de uma pessoa que não suporta rabanada. A crocância desse pão, a cremosidade desse sorvete, não dá para explicar. Incrível de verdade.

No final, uma conta com bebidas ficou em torno de R$75 para cada um. Mais do que um almoço, sua visita ao Empório dos Mellos é uma verdadeira aula sobre generosidade, simpatia, qualidade e relação com os alimentos. É impossível sair de lá do mesmo jeito que entramos. E mais: é impossível sair de lá sem pensar em voltar.

Empório dos Mellos
Rua Elídio Gonçalves da Silva, 1800
Campos do Jordão/SP
Fone: (12) 99751-2601
Aceita cartões de débito e crédito
www.emporiodosmellos.com.br

SP Nathália Cunha