11/09/2012

Albamar: almoço com vista é mais legalRJ

Luciana Tezoto

O tradicional restaurante Albamar estava há tempos na minha lista "tenho que conhecer", de tanto que um amigo meu falava. E escolhi um almoço de segunda-feira para dar cabo nessa situação com ele. Mas poderia bem ser um feriado ou um final de semana, pois foi sem lembrar que dia da semana era que eu saí de lá.. É só ver a foto abaixo que você vai entender... Essa é a vista de quem almoça no Albamar.

O Albamar foi fundado em 1933 e ocupa a única torre ainda existente das 5 que faziam parte do antigo Mercado da Praça XV do Rio de Janeiro, construídas em 1908. De estrutura metálica importada da Bélgica e da Inglaterra, o torre onde está o Albamar foi tombada pela União em 1962 e na década de 70 o restaurante viveu seu auge sendo frequentado por políticos, escritores, intelectuais e diplomatas. Em 2009, reformulou cardápio sob comando do chef Luiz Incão (ex Copabacana Palace), reformou salão (sem perder a aura de tradição do lugar) e desde então sacudiu a poeira focando na sua especialidade: frutos do mar.

Sabendo de toda essa história, o Albamar ganhou um tempero a mais pra mim. Mas confesso que não tinha conhecimento desses detalhes antes de ir até lá e escrever esse post. Talvez por isso a chegada já tenha sido bem inusitada para mim. Ao descer do táxi e olhar aquela torre verde que parecia um mirante turístico, perguntei para o meu amigo: "tem certeza que é aqui?". Com a confirmação, entrei. Uma espécie de sala de espera vazia nos recebeu. "E aí?", pensei alto. Acho que foi alto demais pois uma moça saiu de uma saleta e nos orientou abrindo um elevador daqueles de grade que a gente fecha manualmente, bem antigo, apertou o segundo andar e lá fomos nós.

O maitre nos encaminhou para uma mesa na janela mas nem era preciso ter tido a sorte de pegar o restaurante ainda vazio para isso. Como o salão é redondo, qualquer uma delas, mesmo as mesas que não ficam na janela, têm uma vista linda para a Baía de Guanabara, a ponte Rio-Niterói e a Ilha Fiscal. E acreditem: que diferença isso faz! O clima já era outro, já sentei querendo pedir uma bebida e me jogar no cardápio.

De cara, já senti que o serviço seria atencioso do começo ao fim, como de fato foi. Enquanto beliscava o couvert - composto de manteiga, pastel, polvo a vinagrete, tartare de salmão e pães variados quentinhos (dispensaria todos e ficaria só com o de nozes) - o garçom tirou todas as nossas dúvidas com relação ao cardápio. Convenhamos que isso é uma raridade hoje em dia, vai... Bom, escolhemos 2 pratos e comunicamos que iríamos dividi-los, como geralmente fazemos. E não é que os pratos vieram divididos, montados bonitinho, separadamente?!

Começamos com um naco de cherne (o miolo do filé, segundo o garçom) com purê de banana da terra, palmito pupunha cortado à julianne e redução de frutos do mar, bem caprichado em especiarias como açafrão e gengibre além de pinoli, manjericão e conhaque. Eu adoro peixe com banana e essa versão fez bem bonito (apesar de no purê ter passas que não estavam descritas no cardápio), com um cherne bem assado, macio e suculento que ainda ganhou uma crostinha de castanha-do-pará por cima. Tenho que dizer (e não me julguem!): eu tenho preconceito com crostas... Mas essa não chegou a interferir. Pelo contrário, deu um charme a mais no sabor.

O segundo prato foi o famoso camarões ao molho de champanhe e risoto de maçã verde. O importante a dizer aqui é que o protagonista do prato - o camarão - estava bem carnudo e no ponto certo! Não era do graúdo mas era um médio que não desapontava de jeito nenhum! Os outros itens do prato eram apenas coadjuvantes e não chegaram a impressionar. O molho, apesar de saboroso, não parecia ter champanhe. E o risoto, apesar de no ponto certo, era um risoto base bem comum com pedaços de maçã verde que não brilharam.

Oba! Hora da sobremesa, que hora mais feliz! Pedi a pêra ao vinho do porto recheada com creme de amêndoas. Sim, eu sei que na foto abaixo você não está vendo uma pêra recheada. Mas é isso mesmo. Sei lá o que aconteceu mas o creme de amêndoas veio num copinho à parte, o que não tirou o brilho da pêra que estava de-li-ci-o-sa! Molinha sem perder a textura por dentro, com uma casquinha por fora que dava um "croc", como uma casquinha fina caramelizada de brûlée... uma coisa! Eu ficaria só nela, mas o creme de amêndoas faz boa parceria também com a fruta.

O cafezinho do Albamar é Nespresso e daqueles bem simpáticos, servido com madeleines e biscoitinhos caseiros. Deliciosos, por sinal. Eu sei que nessa hora já não cabe mais nada, mas vai por mim e prova!

Vale dizer que o Albamar tem wi-fi! Acho tão civilizado restaurantes com wi-fi, fala a verdade, gente! E melhor: funciona muito bem. O almoço, a vista e a segunda de folga teve seu preço: 290 reais. Não achei tão caro por que a comida, a apresentação dos pratos e o serviço têm uma sofisticação. Mas também não sei se é isso ou se a gente já está acostumando com a pirada nos preços que a galera vem dando, principalmente aqui no Rio.

Restaurante Albamar
Praça Marechal Âncora, 186 - Centro
Rio de Janeiro/RJ
Fone: (21) 2240-8378 
Cartões: Visa e Mastercard
www.albamar.com.br

Luciana Tezoto