02/12/2014 Á Nos Amours, o bistrô francês de PalermoAR Amanda Mormito

É muito subjetivo falar que um lugar é o melhor restaurante de tal cidade e, também, um pouco presunçoso. Mas como então falar sem parecer pretensiosa que um dos restaurantes mais perfeitos de Buenos Aires é o Á Nos Amours? Não quero aqui menosprezar nenhum outro (mesmo porque ando ficando cada vez mais seleta na hora de compartilhar experiências incríveis) mas tente, até o final do post, encontrar algum erro no lugar. Desafio aceito? Continuemos.

A fachada é isso que vocês viram: um lugar tipicamente parisino. O dono, Constant Anné (diga constã âní) é um fotógrafo francês que desembarcou há bastante tempo aqui na Paris latino-americana que muita gente apelidou Buenos Aires. Os móveis não combinam: nas mesas de quatro pessoas há cadeiras de quatro jogos diferentes. A impressão que dá é que ninguém vai reparar na mobília porque independente de onde você se senta tem um livro em francês bem antigo, com cheiro a nostalgia e arte.

A modesta e singela barra é decorada com garrafas de vinho vazias que foram se amontoando com o tempo por ali. Na foto não aparece, mas à esquerda existe uma mesa repleta de livros franceses - consagrados ou não - que você pode ler durante o jantar.

A primeira prova do sabor caseiro desse restaurante foi o patê de ervas servido em uma vasilha pequena e reposto a toda hora, caso você queira. Esse patê vai variando dependendo da semana. Entre os que eu provei, o de fígado foi o mais excêntrico e com mais sabor de todos. Mas esse da foto estava bem suave e não tirou o sabor dos pães servidos.

Esses são os pães que comentei na foto anterior. De produção caseira, feitos no dia e orgânicos. Sem erros, sem aquela massa que pesa. Perfeitos. 

Assim como a maior parte da cozinha deles tem referencia orgânica, os vinhos também se alinham a esse conceito: são todos orgânicos. Muitos deles de adegas totalmente desconhecidas (que invariavelmente são boutique) e escolhidos a dedo pelo dono em conjunto com o chef. Uma lousa no bistrô mostra quais são os disponíveis da noite e caso você não saiba o que provar, avise ao garçom o que vai comer na noite e ele vai te trazer o que melhor harmonizar. Nessa noite, o dono nos escolheu um vinho caseiro branco da bodega La Ronendo que até hoje não achei informação, pero ¿que importa? Estava bem refrescante, bastante frutal e acompanhou bem nossas escolhas.

De entrada, pedimos huevos con espárragos no molho e verdes. Aqui é importante dizer que a combinação que o cozinheiro tem a liberdade de fazer nem sempre vai te chamar atenção, mas eu te digo: confie plenamente nessas misturas porque elas são realmente muito boas. O prato serviu bem para abrir o apetite. 

Coelho. Sem mimimi nos pedidos, coelho é muito bom, sim, mas esse estava espetacular. Vinha com purê de XXX com blá e molhinho de oi? Isso raramente acontece comigo mas não lembrei mesmo do que era. Liguei lá e me disseram para falar que foi inspiration momentânea do cozinheiro (ele não gosta de ser chamado de chef). Para mim, basta que vocês confiem em que esse foi um dos melhores coelhos que provei nos últimos tempos.

Minha escolha foi o linguado cozido na manteiga de limão com pepinos, cebolas, creme com mostarda e rabanete. Supermacio, o creme trouxe bastante sabor ao prato e eu que não sou apaixonada por pepinos acabei gostando de como ficou o resultado. E aqui vou dizer algo que eu adoro no Á Nos: a falta de prolijidad, como chamam os argentinos. Prolijidad é ordenação, organização milimétrica. Ainda que os pratos daqui careçam da necessidade de beleza porque são ótimos, a impressão que dá é que o cozinheiro se diverte e ama fazer esses pratos. Eu imagino ele dentro da cozinha bebendo uma tacinha de vinho à medida que vai despachando tudo. 

Para a sobremesa, pedimos a torta de chocolate. Nem preciso comentar o quão úmida e espessa ela era, de chocolate meio amargo com creme de leite bem fininho na combinação. O sabor ficou bem impregnado no paladar e casou super com o vinho.

Vinho aliás que não terminamos e nos acompanhou pelo resto da noite com livros à tiracolo. No final já estava falando em francês.

No total, gastamos 230 pesos por pessoa.

Á Nos Amours
Gorriti 4488 - Palermo
Buenos Aires/Argentina
Fone: (11) 4897-2072
Somente dinheiro

www.facebook.com/anosamourspalermo

SP Amanda Mormito
  • Raphaella Perlingeiro 04/12/2014 09:15:48

    Amanda, Arrasou! É esse tipo de post que deixa a gente com vontade de ir para Buenos Aires. Não vejo a hora de voltar, só para ter uma experiência dessas. Besos

    Amanda Mormito 04/12/2014 17:27:45

    Ainn Rapha, que delícia de comentário! Quando for ao Rio quero te conhecer! Beijocas.